A Stellantis está em uma corrida contra o tempo para reverter a perda de valor frente à Volkswagen e startups como a Rivian. Com ações operando perto de €6,80 e capitalização de mercado de apenas 21 bilhões de euros, o grupo automotivo está focado no investimento massivo em Jeep, Ram, Peugeot e Fiat para consolidar plataformas multienergia e melhorar sua rentabilidade.
A nova gestão, liderada por Antonio Filosa, rompe com a política de tratamento igualitário entre as 14 marcas do grupo. Em vez disso, o foco é injetar capital onde há lucro imediato e potencial de volume, garantindo a sobrevivência financeira da quarta maior montadora do mundo.
A engenharia aplicada passará a ser centralizada nas marcas líderes, que desenvolverão as plataformas STLA (Small, Medium e Large) como base tecnológica global. Marcas como Citroën e Opel atuarão como “aplicadoras de design”, utilizando a estrutura técnica já paga pelas marcas principais para reduzir custos de desenvolvimento.
A análise de mercado indica que essa é uma manobra de sobrevivência contra o avanço chinês, que tem custos de produção significativamente menores do que os europeus. Ao não fechar marcas como Lancia ou DS, Filosa mantém ativos que podem ser úteis caso as condições de mercado evoluam ou nichos específicos voltem a crescer.
O plano multienergia da Stellantis levará vantagem ao oferecer motores híbridos acessíveis (eDCT), atendendo ao consumidor que ainda não tem infraestrutura para o carro elétrico. Por outro lado, o grupo perde em velocidade de inovação purista ao desacelerar os planos de eletrificação total, decisão forçada pelo prejuízo bilionário de 2025.
A análise crítica mostra que a desvalorização das ações reflete a desconfiança dos investidores na capacidade do grupo de gerenciar 14 marcas de forma eficiente. A regionalização das marcas permite que a Stellantis se comporte como uma montadora local em diversos países, mantendo raízes profundas na França, Itália e Estados Unidos.
A engenharia brasileira terá papel fundamental nesse processo, já que a tecnologia híbrida flex é um dos pilares do crescimento em mercados emergentes. O sucesso da reestruturação dependerá da execução operacional, ponto que foi duramente criticado durante a gestão anterior e que Filosa prometeu corrigir até 2026.
O plano final, previsto para 21 de maio, deverá mostrar como a Stellantis pretende sair de uma capitalização de mercado “startup” para retomar sua relevância industrial histórica.