A Citroën está prestes a reviver um símbolo da indústria automotiva com o retorno do lendário 2CV em uma nova proposta elétrica e de baixo custo. O movimento é parte de uma mudança de direção após anos de rumores sobre o possível renascimento do modelo, que visa ocupar uma faixa próxima dos 20 mil euros, ainda pouco explorada entre os elétricos europeus.
De acordo com a publicação britânica Auto Express, a marca planeja apresentar um conceito do modelo no próximo Salão de Paris, em outubro. O desenvolvimento do novo modelo está sob o comando de Pierre Leclercq, diretor de design da Citroën, que busca preservar os princípios e valores do 2CV original: simplicidade construtiva, baixo custo, conforto e praticidade.
A proposta é transportar esses elementos para os dias atuais, com uma leitura neo-retrô que evita a caricatura. Alguns elementos históricos, como o teto de enrolar em lona, seguem em discussão e dependerão das limitações estruturais da nova arquitetura.
A base escolhida para o projeto é uma evolução da plataforma Smart Car Platform (SCP), já usada nos atuais C3 e C3 Aircross. O objetivo é ocupar a faixa de preço dos 20 mil euros, ainda pouco explorada entre os elétricos europeus.
A fabricante não divulgou especificações técnicas do possível novo 2CV, mas projetos equivalentes trabalham com baterias próximas de 27,5 kWh e autonomia em torno de 260 quilômetros. A produção regional da Stellantis também é vista como um fator relevante na redução dos custos.
Enquanto a Citroën trabalha no conceito do novo 2CV elétrico, o modelo clássico já vive uma fase de eletrificação na Europa por meio do retrofit. O kit mais conhecido para essa transformação é o R-FIT, desenvolvido pela MCC Automotive.
O sistema usa um motor síncrono de 20 kW e oferece autonomia de 90 quilômetros no ciclo WLTP. A recarga pode ser feita em tomada doméstica de 220 V, com tempo estimado de cerca de 3h30 para ir de 0 a 100%. O pacote custa cerca de 14 mil euros.
A retomada do 2CV também aparece associada ao debate regulatório na Europa. A União Europeia discute um pacote que pode redefinir o espaço dos carros elétricos urbanos por meio da criação da categoria M1E, voltada a veículos compactos e leves.
A medida busca reduzir gastos de desenvolvimento e produção em um momento de maior concorrência com montadoras chinesas e dificuldade das marcas europeias para oferecer carros elétricos realmente acessíveis.